quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Monólogo - Mateus (continuação)


Mateus

Telepatia? O que mesmo seria capaz de tornar aquela cena possível? Às vezes acho que Deus brinca conosco de lá de cima... Fazendo nos tornar pessoas céticas ao extremo e depois colocando pequenos e grandes sinais do divino, do duvidoso em nossas vidas... rever Valeria era tão estranho quanto o fato de que ela pouco mudara nesses seis anos. Será que ela teria me visto também? Parecia tão apressada, será que era ela mesmo?Afinal, o que a traria de volta a esta cidade, que tão pouco se importava. Ontem mesmo o cheiro da cuca de banana de Janice invadia a rua, trazendo o que nem mesmo ela esperava mais ter, esperança, já que tão poucas vezes pudera falar com a filha. O engraçado é que, quando passei por aquela rua, tive a sensação triste que nada nunca mais seria como antes, não só pela passagem dos anos, mas pela mudança do espírito, quando algo é perdido, perde-se também o instante, o porquê, a materialização, ou seja, tudo aquilo que o tornava real. Nem mesmo a cuca, a rua, a sua visão poderia me fazer crer, que poderíamos recomeçar que existe motivo ou mesmo possibilidade de dar certo outra vez.

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